Alimentos poderosos que ajudam você e seu filho a ficarem menos doentes

Por Mariana Branco

Que uma alimentação equilibrada com os diversos grupos de alimentos é fundamental para uma boa saúde isso todo mundo sabe. Por isso, quanto mais colorido você fizer o seu prato e o prato dos seus filhos, melhor. Isso levando em conta que você esteja priorizando alimentos que vêm da terra, principalmente frutas, legumes e verduras, além dos cereais, carboidratos e proteínas.

Mas o que está por traz dos alimentos e quais aqueles que realmente nos ajudam a ficar menos doentes? Para falar sobre isso, entrevistei as médicas Marcela Voris e Jomara de Araujo, ambas nutrólogas da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Segundo elas, alguns alimentos ajudam SIM na prevenção, ou seja, antes de acontecer os resfriados e as gripes. Vejam o que dizem as duas nutrólogas:

  1. Leite materno

Há de se ressaltar, em primeiro e absoluto lugar, a supremacia do leite materno – prescrito de forma absoluta e exclusiva nos primeiros 6 meses de vida e mantido até o segundo ano de vida em associação a outros alimentos. “O leite materno é o imunomodelador biológico específico de maior relevância e seguramente o grande e maior aliado na luta dos bebês contra vírus, bactérias e fungos”, destaca Jomara.

  1. Alimentos ricos em vitamina C

    O sistema imune é de grande eficiência no combate a microorganismos invasores, além de ser responsável pela limpeza do organismo, retirando as células mortas. Por isso, para evitar a imunidade baixa, é importante consumir alimentos ricos em vitamina C, como as frutas cítricas. Elas ativam nosso sistema que atua contra os agentes agressores (como os vírus e as bactérias).

A partir dos 6 meses de idade, quando o bebê começa a se alimentar com papas e frutas, opções como laranja, goiaba, melão, mamão e morango são fontes de vitamina C, que possui propriedade antioxidante (evita a oxidação das células do sistema imunológico).
Vale notar que, assim como a laranja, a goiaba, o melão, o mamão, o morango e o limão também são fontes de vitamina C, com propriedades antioxidantes que evitam a oxidação das células do sistema imunológico (converse com o seu pediatra sobre o momento de introduzir o limão na alimentação do seu filho). E atenção: para muitos pediatras, o morango (devido ao agrotóxico) possui restrição no primeiro ano de vida.
Outra dica é que a vitamina C também é encontrada em outros alimentos além das frutas cítricas, como na couve que também tem propriedade anti-inflamatória (que minimiza alergias).

  1. Alimentos fontes de zinco 

No caso dos bebês, a dica para as papas salgadas é usar a carne bovina, que é fonte de zinco e age no funcionamento de diferentes enzimas, aumentando a imunidade das células e sua capacidade de defesa no combate às bactérias. Pode ser feito com tempero, como o alho, que melhora a função das células do sistema imunológico, tornando assim resfriados e gripes menos graves. Além da carne bovina, ostras, amêndoas e nozes são ricas no mineral zinco e ajudam a criarmos um sistema imunológico forte.

Outras dicas

Para as crianças terem um sistema imunológico forte, é bom ficar atento:

  1. Uma alimentação balanceada fornece ao sistema imunológico vitaminas e sais minerais que irão construir, manter e fortalecer os linfócitos, ou seja, as células de defesa do organismo.
  1. Entende-se por alimentação balanceada aquela que é composta por frutas, verduras, legumes, cereais, carne, ovos, leguminosos, óleos, carboidrato, proteína, lipídio, vitaminas, sais minerais e água.
  1. O consumo de frutas de forma regular previne resfriados e, se estes ocorrerem, duram menos tempo, os sintomas são menos graves e com menos complicações. Os sintomas de gripes e resfriados chegam a sofrer redução de 13,6% nestas crianças.
  1. Para que o bebê desenvolva paladar, a alimentação balanceada e variada é uma dica preciosa para construir, desenvolver e manter a imunidade. Durante a introdução alimentar dos bebês, os alimentos devem ser oferecidos preferencialmente de forma unitária para que a criança seja capaz de identificar seus variados sabores. 

 

Mariana Branco é jornalista, editora do blog Mamãe Prática e idealizadora do Criando AMORas, uma iniciativa física e digital do blog Mamãe Prática que tem a missão de ensinar outras mães a ampliarem o repertório alimentar dos seus filhos. Mari também é autora do eBook gratuito MEU FILHO NÃO COME – 3 Revelações Para Seu Filho Comer Melhor Que Estão Dentro de Você.

*Texto originalmente publicado no blog Mamãe Prática com autorização para reprodução no blog da Comunidade Urbana.

Links:
http://criandoamoras.com.br/
http://mamaepratica.com.br/
http://bit.ly/eBookMEUFILHONAOCOME

Não confunda a sua IPA!

Uma das cervejas que contam com mais aficionados no “Novo Mundo”, a IPA atrai pela sua exuberância: bastante amarga e lupulada e com teor alcoólico mais elevado que a média, ela arrebata o novo consumidor, que se pergunta “como é que eu não provei isso antes?”

Há um detalhe: esse estilo que entusiasma o “novo cervejeiro” não é chamado simplesmente de IPA e difere muito da India Pale Ale original (=English Style IPA). Marcada geralmente pela presença maciça de lúpulos cítricos e frutados norte-americanos, ela é na verdade a American Style IPA.

Uma paixão, mas várias IPAs diferentes!

Segundo a BA, há 4 estilos que têm India Pale Ale no nome. Já o guia da BJCP destaca 10 estilos de cerveja com IPA em sua denominação. Portanto não se confunda: Sculpin IPA, 60 Minute IPA e até a escocesa Punk IPA (e outras das suas preferidas) são, por exemplo, American IPAs. É sempre bom consultar esses guias para saber mais!

A Dominação Britânica na Índia

Devemos a existência da IPA ao domínio britânico no subcontinente indiano, que compreende hoje Índia, Paquistão, Bangladesh e Mianmar. Os britânicos chegaram com a intenção de lucrar com o comércio no início do séc. XVII, através da Cia. Britânica das Índias Orientais.

Rota usada pela Cia. das Índias Orientais

Foram estabelecidas feitorias a partir de 1612 onde realizavam-se trocas comerciais: produtos europeus por seda, algodão, chá e especiarias locais. O Império Mogol(que governava a região) aprovava o comércio com os ingleses, que tinham só um problema: não havia cerveja!

A primeira e melhor IPA(segundo os ingleses claro)!

Fazer cerveja na Índia era tarefa impossível: era quente demais, o fornecimento de água era sofrível e não havia os ingredientes necessários. Importar a cerveja da Inglaterra também não dava certo, pois ela estragava após os longos meses de viagem !

A tentativa de fabricar cerveja a bordo aparentemente até funcionava, mas só onde o clima ainda era ameno. Se nem a poderosa Marinha Real Britânica tinha conseguido uma solução, devia ser mesmo um problema incontornável… até George Hodgson ter uma idéia “lupulosa”!

George Hodgson, o (verdadeiro) inventor da IPA(?)

George Hodgson era o dono da Bow Brewery, no distrito de East End em Londres. Ele já fazia Pale Ales e fabricou uma versão mais forte e amarga para exportá-la à Índia. A quantidade maior de lúpulo preservou a cerveja, bem como o teor alcoólico alto, de 7%.

Ele teria ainda adicionado mais lúpulo aos barris depois de a cerveja estar pronta, protegendo-a totalmente contra ação de micro-organismos. Resultado: a sua nova Pale Ale resistiu bem à viagem e chegou ao destino com ótima qualidade e com um caráter lupulado diferenciado!

Primeira menção ao nome India Pale Ale num jornal inglês em 1835

Essa cerveja tornou-se conhecida na Grã-Bretanha muitos anos depois, provavelmente entre 1830-1840, e – por ser destinada à Índia – ficou conhecida como (East) India Pale Ale. Daí disseminou-se pela Europa e Estados Unidos.

A História é sempre contada pelos vencedores(ou bebedores!)

Por mais deliciosa que seja essa “história”, ela parece não ter acontecido assim. A Bow Brewery ou Hodgson não afirmaram ser os inventores da IPA. E registros apontam para o envio de Pale Ales e Porters à Índia desde 1784 (a própria Bow as exportava supostamente para lá desde 1793). Outros dizem que já havia cerveja inglesa na Índia desde 1640.

Qual foi de fato a primeira cerveja na ìndia?

Várias dúvidas pairam sobre essa versão da origem da IPA: ela não foi a primeira cerveja inglesa na Índia? Surgiu mesmo porque as outras não suportavam bem a viagem? Hodgson não foi seu inventor? E a ideia de pôr mais lúpulo na cerveja destinada às Índias era conhecida antes da Bow entrar em cena?

Voltarei a este tema num novo post, pra desvendar esse “mistério”…

Recomendo degustar IPAs inglesas e americanas para poder compará-las. Na falta de muitas opções de IPA made in England, a Cevada Pura e Blondine tem IPA no estilo inglês. E as americanas são fáceis de encontrar. Como sempre digo: cerveja é cultura! Até o próximo gole!