“Prost – O Essencial sobre a Cerveja” E-book gratuito

Quer saber um pouco mais sobre a história da cerveja desde a Antiguidade, seus ingredientes e curiosidades cervejeiras? Então não perca esse e-book gratuito que traz pra você uma introdução ao mundo da cerveja!    BAIXAR GRATUITAMENTE

Não confunda a sua IPA!

Uma das cervejas que contam com mais aficionados no “Novo Mundo”, a IPA atrai pela sua exuberância: bastante amarga e lupulada e com teor alcoólico mais elevado que a média, ela arrebata o novo consumidor, que se pergunta “como é que eu não provei isso antes?”

Há um detalhe: esse estilo que entusiasma o “novo cervejeiro” não é chamado simplesmente de IPA e difere muito da India Pale Ale original (=English Style IPA). Marcada geralmente pela presença maciça de lúpulos cítricos e frutados norte-americanos, ela é na verdade a American Style IPA.

Uma paixão, mas várias IPAs diferentes!

Segundo a BA, há 4 estilos que têm India Pale Ale no nome. Já o guia da BJCP destaca 10 estilos de cerveja com IPA em sua denominação. Portanto não se confunda: Sculpin IPA, 60 Minute IPA e até a escocesa Punk IPA (e outras das suas preferidas) são, por exemplo, American IPAs. É sempre bom consultar esses guias para saber mais!

A Dominação Britânica na Índia

Devemos a existência da IPA ao domínio britânico no subcontinente indiano, que compreende hoje Índia, Paquistão, Bangladesh e Mianmar. Os britânicos chegaram com a intenção de lucrar com o comércio no início do séc. XVII, através da Cia. Britânica das Índias Orientais.

Rota usada pela Cia. das Índias Orientais

Foram estabelecidas feitorias a partir de 1612 onde realizavam-se trocas comerciais: produtos europeus por seda, algodão, chá e especiarias locais. O Império Mogol(que governava a região) aprovava o comércio com os ingleses, que tinham só um problema: não havia cerveja!

A primeira e melhor IPA(segundo os ingleses claro)!

Fazer cerveja na Índia era tarefa impossível: era quente demais, o fornecimento de água era sofrível e não havia os ingredientes necessários. Importar a cerveja da Inglaterra também não dava certo, pois ela estragava após os longos meses de viagem !

A tentativa de fabricar cerveja a bordo aparentemente até funcionava, mas só onde o clima ainda era ameno. Se nem a poderosa Marinha Real Britânica tinha conseguido uma solução, devia ser mesmo um problema incontornável… até George Hodgson ter uma idéia “lupulosa”!

George Hodgson, o (verdadeiro) inventor da IPA(?)

George Hodgson era o dono da Bow Brewery, no distrito de East End em Londres. Ele já fazia Pale Ales e fabricou uma versão mais forte e amarga para exportá-la à Índia. A quantidade maior de lúpulo preservou a cerveja, bem como o teor alcoólico alto, de 7%.

Ele teria ainda adicionado mais lúpulo aos barris depois de a cerveja estar pronta, protegendo-a totalmente contra ação de micro-organismos. Resultado: a sua nova Pale Ale resistiu bem à viagem e chegou ao destino com ótima qualidade e com um caráter lupulado diferenciado!

Primeira menção ao nome India Pale Ale num jornal inglês em 1835

Essa cerveja tornou-se conhecida na Grã-Bretanha muitos anos depois, provavelmente entre 1830-1840, e – por ser destinada à Índia – ficou conhecida como (East) India Pale Ale. Daí disseminou-se pela Europa e Estados Unidos.

A História é sempre contada pelos vencedores(ou bebedores!)

Por mais deliciosa que seja essa “história”, ela parece não ter acontecido assim. A Bow Brewery ou Hodgson não afirmaram ser os inventores da IPA. E registros apontam para o envio de Pale Ales e Porters à Índia desde 1784 (a própria Bow as exportava supostamente para lá desde 1793). Outros dizem que já havia cerveja inglesa na Índia desde 1640.

Qual foi de fato a primeira cerveja na ìndia?

Várias dúvidas pairam sobre essa versão da origem da IPA: ela não foi a primeira cerveja inglesa na Índia? Surgiu mesmo porque as outras não suportavam bem a viagem? Hodgson não foi seu inventor? E a ideia de pôr mais lúpulo na cerveja destinada às Índias era conhecida antes da Bow entrar em cena?

Voltarei a este tema num novo post, pra desvendar esse “mistério”…

Recomendo degustar IPAs inglesas e americanas para poder compará-las. Na falta de muitas opções de IPA made in England, a Cevada Pura e Blondine tem IPA no estilo inglês. E as americanas são fáceis de encontrar. Como sempre digo: cerveja é cultura! Até o próximo gole!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Hofbrauhaus e suas cervejas

Em 23 de abril de 1516 o Duque Guilherme IV  decretou a Reinheitsgebot ou “Lei da Pureza” e isso impactou fortemente a Weissbier, já que a cevada passou a ser o único cereal permitido na fabricação das cervejas.

A coroa no logo: origem nobre

Algumas cervejarias receberam da Corte a licença para continuar fabricando a cerveja de trigo. Uma delas era da própria família Wittelsbach (de Guilherme IV) que governou a Baviera do século XII até 1918. Qual era o nome da cervejaria? Hofbrauhaus!(Cervejaria da Corte)*

Fundada por Guilherme V em 1589 no local onde era a casa real, ela existiu até 1808. Uma segunda foi construída em 1607 onde hoje fica a atual e absorveu o maquinário da primeira. Ela fabricou a cerveja in loco até 1896, quando o espaço ficou pequeno para comportar a cervejaria e o restaurante.

Papel fundamental na historia da Weissbier

A Hofbrauhaus teve papel fundamental na continuidade da Weissbier. Como em 1602 os Wittelsbach proibiram outras cervejarias de produzi-la, a Hofbrauhaus deteve o monopólio de fabricação por quase duzentos anos na Baviera**.

Oktoberfest? Não, só uma tarde normal na HB!

Hoje um dos lugares mais visitados de Munique, a Hofbrauhaus fica sobre as fundações da antiga fábrica. Foi inaugurada em 1897, após a reforma que a transformou num grandioso restaurante onde o clima é de Oktoberfest nos 365 dias por ano!

As cervejas da Hofbrauhaus

A Weissbier da Hofbrauhaus perdeu espaço ao longo do tempo. Outras cervejarias como a Schneider, Weihenstephan e a própria Erdinger especializaram-se em cervejas de trigo, enquanto a Hofbräu diversificou e hoje fabrica diversos estilos:

Original: a melhor Helles?

Hofbräu Original: Talvez a mais famosa cerveja do estilo Münchner Helles do mundo, seu aroma de pão, amargor equilibrado e o teor alcóolico de 5.1% lhe conferem alto drinkability. Conquistou fãs por toda a parte, inclusive eu. 🙂

Hofbräu Dunkel: A cerveja escura existia na Baviera bem antes das douradas. Foi a primeira cerveja fabricada na Hofbrauhaus.

Weissbier e Weisswurst: par perfeito!

      Münchner Weisse: Refrescante e bem carbonatada, os bávaros tradicionalistas a consomem de manhã com uma Weisswurst (salsicha branca) cozida!

Hofbräu Schwarze Weisse: É a Hofbräu Weissbier escura. O malte escuro está bem presente no sabor e tem um leve dulçor.

Cervejas Sazonais e a lenda da Maibock

Hofbräu Maibock: Por tradição, o primeiro barril é aberto na ultima semana de abril, celebrando a volta dos Biergärten em maio. Surgida em 1614 , foi a primeira Bock de Munique. 7,2% ABV.

Diz a  lenda que ela surgiu após reclamações da família real : “no passado havia a boa cerveja forte de Einbeck (no norte da Alemanha) e agora só há a cerveja marrom e de trigo que nós fazemos. Tragam algo mais forte!” Após a ordem, a cervejaria criou sua Maibock.

As diversas cervejas e cores da Hofbrauhaus

Münchner Sommer Naturtrüb: especialidade do Biergarten no verão – é naturalmente turva e refrescante. De tom âmbar, tem aroma de lúpulo bem presente. 

Garçonete na HB Festzelt com a Oktoberfestbier!

Hofbräu Oktoberfestbier: Para a Oktoberfest ,a Hofbräu produz esta cerveja mais encorpada. Mais amarga e alcoólica (6.3%) que a Original , não se deixe enganar por ela: depois de duas canecas (de 1 litro), você vai falar alemão!
Até o próximo gole! Prost!

*A grafia correta é Hofbräuhaus. Hofbrauhaus foi escrita assim por razões de SEO.
**A família real adquiriu as cervejarias que faziam a Weizenbier na região. Fontes consultadas divergem se a Hofbrauhaus teve exclusividade durante quase duzentos anos. Se não foi a única , certamente foi a mais importante cervejaria a produzir Weissbier de 1602 a 1798, quando acabou oficialmente o monopólio.

 

 

 

 

 

 

 

Cerveja de trigo do Sul da Alemanha

Weissbier, Weißbier, Weizenbier, Hefe-Weissbier, Dunkelweizen, Weizenbock… Os nomes são longos e complicados mas não se engane: todos eles referem-se a uma das cervejas mais saborosas e versáteis do mundo: a cerveja de trigo do sul da Alemanha!

De Trigo sim, mas não 100%

As Weissbier tem pelo menos 50% de malte de trigo e o restante de malte de cevada. Utilizar somente o trigo é difícil pois ele tem muitas proteínas, que entopem os tanques de maceração. E em sua composição não há boa proporção de outras substâncias importantes para a cerveja.

Trigo: cereal exige mais do mestre cervejeiro

A escolha da cevada em detrimento de outros cereais é porque ela é rica em amido (açúcar + leveduras=álcool), possui grande teor de enzimas (amido +enzimas=açúcares menores) e tem uma casca dura, usada como elemento filtrante na tina de mostura.

O uso de malte de trigo com o de cevada reuniu então as vantagens de ambos. O trigo traz uma acidez refrescante, suas proteínas formam um magnifico colarinho branco e as leveduras Ale produzem aromas frutados e condimentados. Essas características tornam a Weissbier muito flexível em harmonizações. E são vários estilos diferentes!

Dicionário “trigo-cervejeiro”

Para entender melhor os rótulos, aqui vão algumas traduções dos termos mais comuns:

  • Weiss/Weisse ou Weiß/e = branco (a)
  • Weizen = trigo
  • Hefe = fermento, levedura
  • Mit Hefe = com levedura
  • Dunkel = escuro (a)
Alguns dos estilos de Weissbier
  • Weizenbock = estilo de Weizenbier mais alcoólica(entre 6,9 a 9,3%)
  • Kristallweizen/Kristallklar = versão filtrada de Weissbier
  • Trüb = turva
  • Naturtrüb = naturalmente turva (não filtrada)
  • Reinheit = Pureza
  • Gebot = Lei, regra, requisito
A Reinheitsgebot e a cerveja de trigo
Estado da Baviera em destaque

Weissbier – como a conhecemos hoje – tem sua origem no final do século XV na Baviera. Sua história foi cheia de percalços e por pouco ela não desapareceu por completo antes de chegar aos nossos (longos) copos.

A Lei da Pureza (Reinheitsgebot**) em 1516 determinou que os únicos ingredientes permitidos na cerveja eram cevada, lúpulo e água***. Além de controlar a qualidade da cerveja proibindo aditivos danosos à saúde e controlar os preços  – a lei queria assegurar mais trigo para a fabricação de pães. A Weissbier concorria com o brot (pão) pelo trigo enquanto muitos passavam fome.

Reinheitsgebot: 500 anos em 2016

Para nossa sorte, a nobreza bávara permitiu em 1548 a uma cervejaria – ligada à corte – fabricar cerveja de trigo . Outras poucas cervejarias (sempre licenciadas ou ligadas diretamente à nobreza) puderam produzir a Weizenbier até 1798, quando o monopólio “real” foi finalmente extinto. Uma dessas cervejarias é a célebre Hofbräuhaus de Munique.

Na próxima semana continuaremos tratando da Weissbier. Até o próximo gole!

* Em alemão a terminação dos adjetivos é complexa. A adição do “e” final  – como em Weiss(e) – não significa necessariamente que o gênero será feminino como em branco(a).
**A Reinheitsgebot é a lei mais conhecida regulamentando ingredientes da cerveja na Alemanha, mas não foi a primeira. Outras leis locais como uma de Munique em 1487 já determinavam que o único cereal a ser utilizado na cerveja era a cevada.
*** Ainda não se conhecia a presença e papel das leveduras na fermentação.

Cervejas trapistas e suas estórias!

No post anterior desvendamos a origem dos Trapistas. E descobrimos que são 11 abadias cujas cervejas trapistas têm o selo de ATP: 6 na Bélgica, 2 na Holanda, 1 na Áustria, 1 nos Estados Unidos e 1 na Itália.  Como algumas delas produzem mais de uma cerveja, segue a lista para você não se perder:

 Bélgica

  • Achel Blond (5%*), Achel Bruin (5%), Achel Blond (8%), Achel Bruin (8%), Achel Extra Bruin (9,5%) e Achel Extra Blond (9,5%)
  • Chimay Rouge (7%), Chimay Triple (8%), Chimay Bleue (9%), Chimay Dorée e Chimay Grande Réserve Vieillie en Barriques (10,5%).
  • Orval (6,2%) e Orval Vert
  • Rochefort 6 (7,5%), Rochefort 8 (9,2%) e Rochefort 10 (11,3%)
    As 6 belgas e a holandesa La Trappe
  • Westmalle Dubbel (7%), Westmalle Tripel (9,5%) e Extra
  • Westvleteren Blond (5,8%), Westvleteren 8 (8%) e Westvleteren 12 (10,2%)

 Holanda

    • Cervejas da Abadia de Koningshoeven, marca La Trappe**: Puur 4,7%, Witte 5,5%, Blond 6,5%, Dubbel 7% , Bockbier 7%, Isid’or 7,5%,Tripel 8%, Quadrupel 10% e Quadrupel Oak Aged 11%.
    • Zundert Trappist 8% (Tripel)
Zundert: a segunda holandesa trapista
  • EUA – Spencer: Trappist Ale 6,5%, Holiday Ale 9%, Imperial Stout 8,7% , IPA 7,2%, Feierabendbier 4,7% , Festive Lager 7,5%
  • Itália – Tre Fontane Tripel 8,5%,
  • Austria – Engelszell: Nivard 5,5%, Benno 6,9% e Gregorius 10,5%

Uma curiosidade é que são 11 marcas de cervejas trapistas com o logo, mas são 12 as cervejas trapistas: a Mont des Cats (7,6%) – da abadia de mesmo nome na França – também é trapista. Só que ela é fabricada pela Chimay. Por não ser produzida na própria abadia, a Mont des Cats não é um AUTHENTIC TRAPPIST PRODUCT.

Ora, labora et…desce mais uma Tripel?

Nada disso! Beber uma cerveja muito alcoólica como Dubbel ou Tripel não faz parte do cotidiano regrado um monge trapista. Muitas das abadias têm na verdade uma cerveja mais leve que é consumida por eles. Uma delas se tornou muito desejada pelos aficionados: a Orval Vert ou Petite Orval (pequena Orval).

Orval Vert: só no bar próximo da abadia

Ela tem apenas 3,5% de álcool e nem é preciso ser devoto de São Bento para degustá-la:a taverna L’Ange Gardien próxima à abadia serve a Orval Vert aos reles mortais direto da torneira! Combine com um queijo trapista do local e…agradeça pela graça concedida(!)

A Westmalle Extra(4,8%) também mais leve. Produzida poucas vezes ao ano, é destinada somente aos monges e seus convidados. E recentemente a Chimay passou a comercializar sua Chimay Dorée (4,8%) que antes era reservada aos monges, seus hospedes e staff.

Até o próximo gole!

*Medida de álcool por volume (no caso = 5ml de álcool por 100ml da cerveja)
**A La Trappe e outras trapistas lançam muitas versões comemorativas e/ou limitadas. A listagem aqui apresentada traz apenas as cervejas produzidas regularmente.

Cervejas trapistas e sua origem

Mesmo quem as conhece pode pensar que trata-se de um estilo de cervejas, porém as cervejas trapistas são aquelas feitas pelos monges trapistas (como os da Abadia Orval, da foto em destaque acima) e pertencem a mais de um estilo.

Mas por quê o nome trapista?

A história começa no século XI, quando foi fundada a primeira Abadia da Ordem Cisterciense em 1098 na Borgonha. Ela surgiu como um ramificação dos beneditinos e coube a São Bernardo (1090-1153) seu desenvolvimento pelo continente europeu.

Rotulo antigo da holandesa La Trappe

Trapista vem de Notre Dame de La Trappe, abadia erguida em 1140 na Normandia, que tornou-se cisterciense em 1147. La Trappe era o nome da propriedade do Conde Rotrou III, cuja filha morrera em um naufrágio em 1120. Em sua homenagem, ele fez no local um oratório e depois construiu a abadia.

A “Reforma” Trapista e expansão

Em 1662,o clérigo Armand-Jean de Rancé (1626-1700) instituiu na abadia uma releitura (mais rígida) das regras religiosas. Dessa “reforma” originou-se a chamada Ordem Cisterciense da Estrita Observância (ou Ordem Trapista).

A doutrina trapista se propagou pela Europa devido à perseguição  aos religiosos durante a Revolução Francesa. Os monges em fuga difundiram sua crença em diversos outros países, garantindo a continuidade da Ordem.

Ora et labora

São Bento: os trapistas o seguem

Os trapistas seguem rigorosamente as regras estabelecidas por São Bento no século VI, que enfatizam a oração e o trabalho manual. Por isso os monges produzem e comercializam diferentes produtos, como cervejas e queijos.

A fabricação de bebidas alcoólicas pelos religiosos vem desde a Idade Média. Assim, uma cerveja de abadia pode não ser trapista. As trapistas destacaram-se mais por sua qualidade, complexidade, “mística” e incrível sabor!

O selo de Produto Trapista Autêntico

O nome trapista é uma denominação de origem, o que significa que todos os itens feitos pelos 160 monastérios trapistas no mundo são ditos trapistas. Entre esses produtos estão as cervejas, queijos, chocolates, biscoitos, pães, licores e muitos outros, inclusive não alimentícios. 

Já o selo AUTHENTIC TRAPPIST PRODUCT  é um certificado que só pode ser dado aos produtos dos monastérios membros da Associação Internacional Trapista e precisam atender a determinadas regras na produção e comercialização. O logo ATP garante que:

  • Os produtos são fabricados no próprio monastério ou nas proximidades;
  • A comunidade monástica está envolvida com a gestão e com os meios de produção. E toda a produção está claramente subordinada ao monastério beneficiário e segue uma cultura empresarial que reflete o modo de vida monástico.
  • Os lucros são destinados em sua maior parte ao atendimento das necessidades da comunidade(monástica) e a obras sociais*

Quais são as cervejas trapistas?

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As onze cervejas trapistas com logo ATP

Atualmente apenas 11 monastérios têm o selo da ATP em suas cervejas trapistas. Para saber quais são, clique aqui.
Na próxima semana tem mais sobre as cervejas trapistas:os estilos, curiosidades, fatos e mitos. E lembre-se: cerveja é cultura!

To beer continued…

Comunidade aqui parece significar a comunidade monastica. Recomendo a leitura das regras no próprio site 

 

 

 

 

 

 

 

A história da cerveja Pilsen

Pilsen, Pilsner, Pilsener ou Pils

A cerveja Pilsen surgiu na cidade de Plzeň, localizada na região da Boêmia na atual Republica Tcheca, em meados do século XIX. Sua chegada mudou o cenário cervejeiro mundial, pois sua coloração dourada e luminosidade a diferenciavam muito das Lagers escuras da época.

Mapa da Republica Tcheca : a cidade de Plzeň fica no estado de mesmo nome

Ela foi criada pelo bávaro Josef Groll da cervejaria Pilsner Urquell (Plzeňský Prazdroj) para competir com o estilo Märzen*. Groll aprendeu a fazer maltes claros com os britânicos e teve acesso à então nova levedura Lager, trazida da Bavária. O resultado foi a cerveja mais clara do seu tempo e com um brilho único.

Revolução industrial torna o vidro mais barato

Coincidência ou providência divina, nessa época uma mudança no consumo ajudou a impulsioná-la: o vidro substituía as canecas de cerâmica e metal como recipiente preferencial e a nova cerveja tinha um apelo visual irresistível. Todos queriam prová-la e a novidade espalhou-se rapidamente pela Europa.

E ela não era apenas bonita. O malte claro de origem local lhe conferia um convidativo aroma de pão e o lúpulo nobre de Zatec proporcionava um médio e agradável amargor. Isso somado ao baixo teor alcoólico fazia da Pilsner uma cerveja muito fácil de beber. De gole em gole, o novo estilo conquistou o mundo.

Beba na fonte original

Portões da Cervejaria Pilsner Urquell

A Pilsner Urquell, nascida oficialmente em 5 de outubro de 1842, pode ser encontrada por aqui. Mas para quem tiver a oportunidade, vale cada centavo conhecê-la em sua plenitude, nos bares da República Tcheca ou na própria fábrica em Plzeň.

Nesse tour incrível você vai conhecer um labirinto de galerias subterrâneas, onde a cerveja era fermentada e maturada antes do advento da refrigeração. Para garantir a temperatura correta para a levedura Lager**, enormes blocos de gelo eram colocados nessas câmaras debaixo da cervejaria.

Barris a perder de vista nas longas galerias

A visita é coroada com uma degustação da cerveja não filtrada direto dos antigos barris de madeira. A experiência é incrível porque a cerveja fresca é muito saborosa. E ainda há um museu, uma boa loja de souvenirs e um restaurante.

Só não se empolgue muito comendo bebendo para não perder o trem de volta a Praga. Eu perdi.

*Plzeňský Prazdroj significa fonte original da Pilsner (ou fonte original da cidade de Pilsen. as traduções variam). Algumas publicações não se referem explicitamente a uma Märzen, mas sim a uma Lager feita em Viena que teria se disseminado também no sul da Alemanha no inicio do século XIX.
**Lager vem do alemão e significa armazém ou estoque. O nome surgiu porque essas cervejas exigem um tempo de maturação longo e ficavam estocadas até estarem prontas para o consumo.

Cervejas para beber com Estilo em 2017!

Ao contrário do PIB, o mercado de cervejas especiais continua em alta no Brasil. Novas marcas chegam aos mercados, vindas das mais diversas partes do pais e do mundo e novos bares e brewpubs são abertos numa velocidade impressionante.

Nesse novo “universo” cervejeiro é mesmo muito fácil se perder. São tantas marcas, “tipos” e estilos que a escolha do que beber tornou-se complexa. Para simplificar a tarefa, que tal conhecer um pouco mais sobre os mais de 150 estilos disponíveis nas prateleiras?

Tipos x Famílias X Estilos de Cerveja

Certo, a cerveja aguada que acompanha(va) o seu churrasco não é Pilsen. Mas quais são as características sensoriais que a diferem de uma verdadeira Pilsen ? E por que aquela cerveja de trigo da Oktoberfest destoa da witbier belga que você bebeu outro dia? Continue lendo “Cervejas para beber com Estilo em 2017!”